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... se escrevem e apagam textos, imagens, filmes, etc, etc, ... conversando e desconversando e tentando descobrir para que servem os blogues na nossa vida profissional :)

sábado, 11 de julho de 2009

3º 'poste curtinho' - Ética


Sobre ética, poderíamos conversar por aqui eternamente... se ética e moral são a mesma coisa ou não, se há ou não uma ética profissional docente, etc...

No nosso 'Estatuto', encontramos a descrição dos nossos direitos e deveres. Sobre cada uma destas alíneas, poderíamos também discutir se se aplicam, ou como se aplicam, em ambientes virtuais, etc...etc...

Poderíamos também investigar o código de conduta de bloggers e as licenças Creative Commons, que tentam instituir regras no mundo tão aberto que é Internet...

Mas, com o pouco tempo que temos para tantas questões interessantes, penso que nenhuma é tão importante como a relacionada com aquilo que os nossos alunos vulgamente referem por "tirar da net" e que constitui actualmente um dos recursos mais utilizados para fazerem os seus trabalhos escolares: textos, imagens, filmes, tudo serve para 'meter' num diapositivo ou num documento Word, imprimir e entregar ao professor.

(E lá recebemos os 3, 4, ou mais trabalhos todos passados a papel químico - papel químico... quem é que sabe o que é isto? ;)

E as perguntas que ficam no ar são as seguintes:

- que regras, que conselhos, que 'sermões' devemos pregar por forma a não deixar dúvidas acerca do que se pode ou não se pode 'tirar' da net e usar em trabalhos ou em blogues...

- ou, mais importante ainda, será que alguma coisa terá de mudar nas nossas estratégias pedagógicas e no tipo de trabalhos que pedimos aos nossos alunos?...


Estas questões foram debatidas ainda este mês no programa Sociedade Civil

e também noticiadas num telejornal:



20 comentários:

Nobita disse...

Concordo com tudo o que foi dito no programa Sociedade Civil:será que também nós não deveríamos ponderar a necessidade de debater questões relacionadas com um código de conduta para a apresentação ou entrega de trabalhos? Talvez fosse bom discutirmos com os alunos as consequências da entrega de trabalhos copiados a papel químico. Seria também interessante analisar o código de conduta para blogueiros e estabelecer quais os pontos que deveriam reger os trabalhos feitos a partir da NET para aquela turma ou escola.
É necessário consciencializá-los de que nem tudo é permitido e que há que disciplinar o uso da internet.
Uma vez debatidos estes assuntos, decidir então das consequências da não aplicação das "regras":descontos na nota e repreensões não chegam!
Que outras medidas poderíamos adoptar para penalizar os alunos "infractores"? Neste momento não sei porque já estou cansada, mas é uma coisa a pensar.Pensar já é mudar alguma coisa e aplicar as consequências estipuladas melhorará com certeza a qualidade e a originalidade dos trabalhos que vamos receber.

Nobita disse...

Já agora, há exemplos que poderíamos seguir como por exemplo o do agrupamento de escolas de S. Julião da Barra que vai realizar através da Equipa TIC a semana do "Eu não sou pirata". Como os alunos, quando executam trabalhos de pesquisa, demonstram desconhecer as regras de utilização da informação disponível, talvez fosse boa ideia aproveitar algumas aulas de Formação Cívica para abordar estes assuntos.Por exemplo nessa escola, o tema é debatido pelos alunos que elaborarão um pequeno texto, frase ou desenho com as conclusões da turma.

agapê disse...

Vi a reportagem que passou na RTP1 e, na altura, pensei nos trabalhos dos nosos alunos. Julgo que os professores universitários têm um problema para resolver maior que o nosso (neste momento): para nós é fácil descobrir se o trabalho é original. Qunado tivermos alunos do secundário, aí sim...
Mais uma vez, incutir valores é o caminho a seguir(tarefa titânica, mas que não nos pode fazer desistir).

Graça disse...

Concordo com tudo o que já foi dito: cada vez é mais difícil controlar. E nós ainda estamos numa boa posição: os miudos são demasiado pequenos para nos enganar na totalidade.
Penso que o caminho a seguir é o dos valores. Neste e noutros domínios da vida. Acho que temos de apostar em ensinar a honestidade, a correcção, a verdade.
Utopia? Talvez. Como muitos dos sonhos que construimos quando começámos a trabalhar aqui.
E, se um professor é um sonhador... Em frente!

Nanda disse...

Bem, as minhas colegas já disseram quase tudo. E todas elas abordaram factos e preocupações que são comuns a todos nós, professores.Porém, gostaria de referir que já recebi por parte dos alunos, apresentações de livros em powerpoint e em dossiês,cuja informação foi retirada totalmente da Internet ou da contracapa do livro apresentado. Contudo, devo dizer que ao fazer perguntas sobre a obra lida, reparei que alguns desses alunos, até tinham lido o livro, só que como a Internet oferece informações sobre as obras lidas, por uma questão de preguiça,comodismo, e muitas vezes porque acham que não são capazes de fazer um resumo escrito sobre a obra ou as personagens,emitir uma opinião crítica,optam pela via mais fácil, copiar a informação.Esta é uma situação muito grave e difícil de controlar. O pior é que os alunos sabem que não podem fazer isso, mas muitos deles não dão importância a esse facto.E muitas vezes, nem sequer admitem que copiaram a informação. Quero acrescentar ainda que, àlguns destes trabalhos, depois de verificar através de uma série de perguntas, que os discentes de facto, tinham lido a obra ou pelo menos parte dela, não lhes dei negativa porque achei que seria injusto fazê-lo, visto que tive alunos que não leram nem apresentaram nada. Se fiz mal ou não?é algo que gostaria de discutir convosco na sessão presencial.Além disso,penso que a culpa do que está a acontecer, cada vez com mais frequência, não é só dos alunos. Será que estou enganada?

seni disse...

Sem dúvida que é importante estabelecer um código de conduta em relação à apresentação de trabalhos, mas não podemos falar em ética, sem antes facultarmos, aos alunos, informações que, a meu ver, são cruciais. Assim e segundo a Wikipédia, a enciclopédia livre, ao se "utilizar o computador no processo de ensino-aprendizagem, o mais importante a destacar é a maneira como esses computadores serão utilizados, quanto à originalidade, à criatividade, à inovação que serão empregadas em cada sala de aula."
Serão estas as dicas a seguir?
Aproveitando a sugestão da Nobita,encontrei este endereço:
http://www.seguranet.pt
Agora é só estudar!!!

JORDAS disse...

Bom,
fui o último a comentar o post. Os códigos de conduta estão sempre a mudar. O único que conheço que nunca muda é o do Bom Senso.

Tina disse...

Jordas, não foste o último... A propósito de ética e do trabalho a realizar contra o copianço, plágio de trabalhos, comprar ou copiar ideias alheias (muitas chegam às nossas mãos em Português do Brasil!...), conto-vos uma história (qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência): enquanto directora de uma turma, recebi uma reclamação de um encarregado de educação. Estava descontente com a nota de um trabalho de pesquisa (individual). Segundo o pai, a professora responsável pela disciplina explicara, na aula, que atribuíra «negativa» ao trabalho da sua filha e ao de uma colega da turma porque eram idênticos. O pai achou que a docente agira mal, argumentando ser natural que temas e fontes semelhantes gerem trabalhos iguais. Mediante tais afirmações, referi, na ocasião, a importância de saber realizar um trabalho; pesquisar; seleccionar e organizar a informação; fazer resumos; redigir o texto; mencionar as fontes... Tentei mostrar-lhe que o mesmo tema pode ser abordado de diferentes formas; que cada aluno tem a sua maneira de escrever... Foi uma luta inglória... No final, o pai desvalorizou a hipótese de copianço ou de «papel químico»; considerou ser perfeitamente possível haver trabalhos iguais (as mesmas palavras, frases, pontos, vírgulas, erros ortográficos, estrutura...) e pediu-me que transmitisse à docente um recado: «se quer trabalhos diferentes, dê temas diferentes»... Será esta a solução?... Reinventarmos temas... Não me parece...
Penso que, antes de pedirmos trabalhos, deveremos estabelecer regras (uma espécie de código de ética), debater mais (com os alunos e pais) a importância de agir correctamente; saber usar a Net/a informação, citar, identificar devidamente as fontes...

IC disse...

Será que o grau de literacia exigido para a função pública não está no cerne da questão? Concordo com o Jortas, Bom Senso e Ética Profissional.

MF disse...

Quanto a esta matéria, quantos de nós, no nosso percurso profissional, já recebemos trabalhos de alunos cujo conteúdo notamos claramente que foi copiado de um qualquer sítio da Internet?
Torna-se imperioso incentivar os nossos alunos para manterem regras de conduta correcta e honesta.
É uma tarefa díficil, pois sabemos que estes optam pelo facilitismo e comodismo!
Mas, devemos insistir e realçar a importância de saber realizar um trabalho ao nível da pesquisa e tratamento de informação e por fim, mostrar que sem esforço e empenho não se atingem bons resultados!!

SMaria disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
SMaria disse...

Os alunos hoje em dia têm a vida muito facilitada. Mas muita informação que está na Net não é correcta, tem muitos erros. Devemos realçar isso com os alunos. Eles confiam demasiado nesta ferramenta.

Twist disse...

Sem dúvida que o BOM SENSO é fundamental! Aliás, a Ética é um valor que varia de pessoa para pessoa...mas se os alunos sabem as regras ditadas por nós nas aulas quando delegamos um trabalho e mesmo assim insistem em infringi-las por preguiça de pensarem ou outro motivo qualquer, o caso exige medidas drásticas! Não é à toa que na Universidade os trabalhos dos alunos vão passar a serem submetidos a um detector de plágio! Só visto!

Goriza disse...

O aluno investiga e copia todo o documento da net e deixa ainda mais alguma informação, não vá o professor necessitar dessa informação… ele nem se dá ao trabalho de seleccionar o que realmente interessa.
Sem dúvida que este problema dos plágios, é uma bola de neve. Começa por uma imagem que usamos porque fica bem e dá jeito colocar no teste para o aluno comentar…e os direitos de autor, todos colocam o autor das imagens utilizadas? de onde foram retiradas?

Maria disse...

Uma coisa que sempre me espantou nos blogues é o facto de se verem tantos artigos que remetem para outros! Não sei se já notaram mas existe muita coisa que não é original, não é «propriedade» de quem a publicou! O mundo dos blogues está poluído com exemplos deste tipo: é a notícia de X que é comentada por Y no blogue W; o vídeo que está no Youtube que é alvo de publicação no blogue A; é tanta gente a falar de tanta outra gente e de tanta coisa, às vezes sem qualquer conhecimento de causa que me assusta até que ponto pode chegar a ética (ou a falta dela) sem atribuir o devido crédito a quem o deveria ter, por direito próprio! Acho que as perguntas estão muito bem feitas e são muito pertinentes e, acredito, não vejo como não passar aos alunos o sentido crítico e de responsabilidade perante a dita «recolha» dos trabalhos!
Acredito que, já que as fontes existem e estão à disposição de todos, nós, enquanto docentes, deveremos aproveitá-las e dar aos alunos a possibilidade de delas também tirar partido. Agora, há que saber como fazê-lo!
Devemos alertar para as regras que devem ser seguidas, para o respeito que deve ser tido em conta, para o trabalho que está presente em cada uma das fontes que estes forem buscar... a questão prende-se com não deixar que as coisas se façam e aconteçam de forma leviana!

manga disse...

Mais uma vez, a solução para este problema do crescente facilitismo que as novas tecnologias proporcionam aos nossos alunos quando têm de fazer os seus trabalhos, passa por um trabalho de mentalização e sensibilização, que terá de ser feito por nós e porque não, também pelos pais( eu pelo menos não deixo este trabalho em mãos alheias ).
As palavras chave são sem dúvida BOM SENSO.

Nide disse...

Quando peço um trabalho aos alunos, sei á priori que a minha maior dor de cabeça vai ser descobrir se plagiaram ou não e depois se o fizeram parcial ou totalmente. Eles optam quase sempre pelo caminho mais fácil, dai que eu fico espantada quando tratam a informação de forma correcta e se dão ao trabalho de fazer citações e indicar a bibliografia. Penso que temos o dever de esclarecer como é que eles devem investigar, seleccionar e tratar essa informação e no final, devemos aplicar penas pesadas para os que optaram pelo caminho mais curto, ou seja a cópia integral e o desrespeito para com as fontes.

miss Lemon disse...

"Cada cabeça sua sentença"!, começo assim porque a questão da ética passa pelos valores de cada um. A formação familiar e académica torna-se no maior suporte da formação da personalidade, por sua vez a forma como actuamos com os outros ou para os outros define-nos enquanto seres humanos!E é aqui que entra a ética e os valores, que no fundo se revelam tão distintos muitas vezes em contextos tão pequenos!

AZ disse...

O "bom senso" deve prevalecer. Infelizmente, temos alunos que entregam trabalhos que são cópias integrais da Net. Contudo, não podemos desistir do nosso papel. Temos de apostar na transmissão de valores, nomeadamente a verdade, a honestidade, entre outros.

Flor disse...

A questãom da ética é bastante pertinente: Palavra bonita no seu valor semântico mas que actualmente perdeu valor, omo outras palavras que se banalizaram.E faz-nos tanta falta...