Os tempos eram bons. Sem nada que atrapalhasse o sol e a praia e a soltura dos dias. Nas férias (de gente pobre), íamos com outra família para o Porto Santo - casa emprestada, a tralha toda no barco, o enjoo da viagem e a alegria de chegar. POrque eram férias. Porque éramos felizes. Porque o Porto Santo cheirava a cardos e a mar, a calor e a liberdade.
E eram as uvas. (Nunca mais comi uvas assim!). E o pão quente que engolia a manteiga ( pouca, que éramos muitos). E os gelados da vila que escorriam pelos dedos nas noites quentes de Agosto.
Guardo-o comigo, embrulhado nas memórias dos amigos, de uma infância boa, de um tempo em que nada mais importava para além do momento. Guardei-o no Pingo de sol na areia.
Escrever este livro permitiu-me voltar a sentir o queimor do sol na pele, quando ainda não havia medo das doenças, o gosto do pão quente comido à noite, depois do passeio, o cheiro seco a cardos, as gargalhadas felizes, o gosto inigualável das uvas, dos figos e das melancias que nos coloriam os lanches.
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
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